Publicado por: Comunicação e Imprensa | Em: 22/09/2026
A indústria de alimentos e bebidas está entrando em uma nova fase de inovação, marcada pela combinação entre ciência, tecnologia, saúde, sustentabilidade e mudanças no comportamento do consumidor. Essa foi uma das principais conclusões do assessor de Inovação da AFABBRA, Geraldo Benites, após acompanhar o Summit Future of Nutrition, realizado de 4 a 6 de agosto de 2026.
Para o Assessor de Inovação da AFABBRA, Geraldo Benites, que participou do evento, o desafio da indústria não é apenas acompanhar as tendências, mas identificar quais delas podem ser transformadas em oportunidades concretas para os negócios.
Ciência e mercado caminham juntos
AFABBRA – Qual foi a principal tendência observada no evento?
Geraldo Benites – A aproximação cada vez maior entre ciência, tecnologia, mercado e comportamento do consumidor. A inovação deixou de ser apenas uma questão de desenvolvimento de produto. É preciso compreender também regulamentação, percepção do consumidor, viabilidade industrial e oportunidades de mercado.
AFABBRA – O consumidor está impulsionando essas mudanças?
Geraldo Benites – Sim. Há uma busca crescente por produtos relacionados à saúde, bem-estar, naturalidade e qualidade nutricional. Isso está levando a indústria a investir em reformulação e em ingredientes capazes de agregar novas características às formulações.
Fibras ganham destaque
Entre os ingredientes funcionais, as fibras aparecem como uma das oportunidades de maior relevância.
Segundo Benites, o interesse está relacionado principalmente à saúde digestiva, equilíbrio nutricional e bem-estar. A utilização de fibras também pode contribuir para o desenvolvimento de produtos com novos atributos funcionais.
“A indústria começa a buscar ingredientes que possam reunir diferentes componentes nutricionais e funcionais, em vez de trabalhar apenas com soluções isoladas”, explica.
Biotecnologia e novas proteínas
Outro movimento destacado foi o avanço da biotecnologia na produção de ingredientes.
A tecnologia vem sendo utilizada como ferramenta para ampliar a eficiência produtiva e desenvolver novas soluções, incluindo alternativas para proteínas. Entre as possibilidades discutidas no evento, os fungos aparecem como uma das fontes com potencial para contribuir com a alimentação do futuro.
Para Benites, esse desenvolvimento exige uma aproximação cada vez maior entre indústria, universidades e centros de pesquisa.
IA entra na formulação
A inteligência artificial também começa a transformar o desenvolvimento de alimentos e bebidas.
A tecnologia pode auxiliar na análise de formulações, acelerar processos de desenvolvimento e contribuir para a redução de custos. O avanço, entretanto, deve estar associado ao conhecimento técnico e científico das equipes.
GLP-1 muda hábitos de consumo
As mudanças provocadas pelo avanço dos medicamentos baseados em GLP-1 também estiveram entre os temas discutidos.
A redução do apetite e as alterações nos hábitos alimentares podem produzir impactos sobre diferentes categorias de produtos e ocasiões de consumo, tornando esse um movimento que deve ser acompanhado de perto pela indústria.
Naturalidade, biodiversidade e sustentabilidade
O evento também colocou em evidência a busca por soluções naturais, biodiversidade brasileira e bioeconomia.
Para Benites, o Brasil possui uma oportunidade importante de transformar sua biodiversidade em inovação, desde que esse processo esteja associado ao conhecimento científico, tecnologia e uso sustentável dos recursos naturais.
A reformulação e o conceito de Clean Label seguem a mesma direção. A redução de açúcar e a busca por produtos alinhados às expectativas de saúde precisam conciliar atributos nutricionais, sabor, qualidade, segurança e viabilidade industrial.
Da tendência à estratégia
Na avaliação de Geraldo Benites, o principal aprendizado do Summit Future of Nutrition é que acompanhar tendências não significa simplesmente adotar novidades.
“É preciso identificar uma oportunidade, avaliar sua viabilidade, compreender o consumidor, observar o ambiente regulatório e transformar conhecimento em produto e resultado.”
Para a AFABBRA, esse movimento reforça a importância de ampliar o acesso dos associados a informações sobre inovação, tecnologia, regulamentação e comportamento de mercado, contribuindo para decisões mais estratégicas e para o fortalecimento da competitividade da indústria brasileira de bebidas não alcoólicas.